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Martha Medeiros

Livros

Um Lugar Na Janela

14 de janeiro de 2014
UmLugarNaJanela

Sempre acompanhei os textos da escritora Martha Medeiros pela internet, mas confesso que esse é o primeiro livro que comprei da escritora.
Antes de começar a leitura imaginei que seria um “guia de viagens”, muito engano de minha parte, o livro é um amontoado de anotações de lugares, restaurantes, acontecimentos, sentimentos e sensações de algumas viagens de Martha.

Sabe aquele caderninho que a gente leva nas viagens pra sair anotando o que comeu, aonde foi, se gostou ou não do restaurante? Nada mais é que o livro “Um Lugar Na Janela”, claro que somada a naturalidade e destreza que Martha tem de transmitir sentimentos em palavras.

Um Lugar Na Janela Livro Martha Medeiros

Trechos Bacanas:

“(…) a nacionalidade de uma pessoa não deveria ser estabelecida por sua cidade de nascimento, e sim pelos locais pelos quais a pessoa se sentia atraída”

“Viajar é maravilhoso por inúmeros motivos. O melhor deles estava ali, acontecendo comigo naquela despedida do deserto. Sozinha em meio à vastidão de um panorama colossal, me sentindo personagem de uma pintura, me dei conta de como são especiais esses momentos silenciosos em que nada nos preocupa, nada nos abate. Em que nosso único e primordial dever é honrar o fato de ter nascido.”

“Viajando é que descobrimos nossa coragem e atrevimento, nosso instinto de sobrevivência e capacidade de respeitar novos códigos de conduta. Viajar minimiza preconceitos. Viajantes não têm partido político, classe social, time de futebol, firma reconhecida no cartório, senhas decoradas na cabeça. Reciclam-se a cada manhã, quando acordam – e acordam, que benção, sem a tirania do despertador.”

 “A liberdade é uma ilusão, eu sei. Ninguém é inteiramente livre, a não ser que não possua vínculos. Como qualquer pessoa saudável, não abro mão de laços afetivos, a vida seria muito árida sem amor. Desertos são fascinantes, mas não os emocionais, então tenho uma relação de profundo apego à família, aos meus amigos e ao meu coração, que de tempos em tempos bate forte por alguém, e essa turma estimula meu crescimento, mas para crescer juntos é preciso facilitar o encontro, o que me faz ter um endereço fixo.”

“Comprometer-se com o encantamento contínuo pela vida não impede desconfortos do coração, dívidas com o banco ou conflitos familiares, mas dá trégua pra alma.”

É uma leitura bem relax, aliás acho muito gostoso ler os textos que a Martha escreve, pra quem não consegue nunca chegar no fim do livro esse vai dar o efeito contrário ;)
E alguém por ai já leu esse?
Beijos

Refletindo

Tô nem aí…

13 de setembro de 2012
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Tô nem aí pro futuro, pra celulite, tô nem aí para queixas datadas, tô nem aí pro telefone mudo, pros surdos, pro preço do combustível, tô nem aí se vai chover amanhã, se o presidente vai viajar, se vai voltar, tô nem aí. Pra discussão sobre maioridade penal, violência e barbárie, tô aí.

Pro fim desta impunidade que incrementa a bestialização das nossas vidas, tô muito aí. Tô nem aí pros especuladores da vida alheia, pro Schwarzenegger, pros índices de audiência, tô nem aí se fui convidada ou preterida, quem é a primeira da lista, a segunda, a última, tô nem aí pro novo namorado da Nicole, pras declarações da Luana, quem é gay ou não, com silicone ou sem, se é virgem, se é rodada. Pros sentimentos das pessoas, tô aí.

Para seus desejos e dúvidas, para seus medos e ousadias, tô aí. Para tudo aquilo que tem consistência, para tudo aquilo que nos comove, para o leve e o denso, para a alegria genuína e para o luto, tô aí, sim.

Tô nem aí para quantas calorias tem um bife, tô nem aí pra corrida espacial, se há vida após a morte, tô nem aí pro carro do ano, pra musa do próximo verão, pro gol mais bonito do domingo, pra manchete da capa de amanhã. Para a grosseria e a falta de delicadeza que corrói as relações, tô aí. Para a brutalidade das pessoas, pro egoísmo, pra falta de educação e civilidade, para todos que possuem uma nuvem preta acima da cabeça e a carregam pra onde quer que vão, tô aí e me dói profundamente.

Tô nem aí pro que foi decidido na reunião de condomínio, na reunião de cúpula, na reunião de mães, nas reuniões que duram mais de dez minutos, tô nem aí pro salário dos outros, pras novas tendências, pra cotação das minhas ações no mercado externo.

Tô aí pra alguns, pros meus. Tô aí e estou aqui. Estou atenta. Estou dentro. Estou me vendo. Estou tentando. Estou querendo. Estou a postos só para o mínimo, o máximo. Para o que importa mesmo. Para o mistério. A verdade. O caos. O céu. O inferno. Essas coisas.

No mais, tô nem aí….

(Martha Medeiros)